terça-feira, 16 de outubro de 2012

Para os membros do Sínodo, os meios de comunicação fazem parte do problema e parte da solução


A Igreja Católica tem que usar seus meios de comunicação e as redes sociais para difundir a fé, principalmente porque a grande parte dos meios que fazem cobertura sobre a igreja “estão cheio de mentiras”, disse o cardeal húngaro Peter Erdo de Esztergom-Budapest diante da assembleia sinodal.
Em toda a Europa exite “uma ignorância que se propaga sobre a fé cristã”, o qual se aumenta através das mídias que “informam mal o público sobre o conteúdo da nossa fé”, disse o cardeal diante dos bispos no dia 8 de outubro.
O cardeal Erdo, presidente do Conselho das Conferências Episcopais Europeias, foi um dos oradores que partilhou sobre o estado da evangelização em diversas regiões do mundo. Cada um dos cincos fizeram menção sobre o papel das mídias e muitos insistiram sobre o dever da Igreja de usar as redes sociais para chegar até as novas gerações de Católicos. Acrescentou ainda que os europeus estão perdendo a consciência de quanto essencial foi o cristianismo para o desenvolvimento de suas culturas, da democracia e dos direitos humanos que tanto apreciamos. A perda, refletiu o cardeal é a “consequência de uma cultura áudio-visual”, na qual os conceitos claros e o pensamento lógico são ignorados.
Quanto ao arcebispo mexicano Carlos Aguiar Retes de Tlalnepantla, presidente do Conselho Episcopal Latino Americano, falou à assembleia sinodal que desde o Concílio Vaticano II os bispos da América Latina se focalizaram na edificação comunitária entrando em diálogo com o mundo que os rodeia e orientando os fiéis sobre o seu papel na transformação da sociedade.
Hoje em dia, disse ele, a Igreja tem que “se servir das novas tecnologias de comunicação para permitir que a vida e missão da Igreja sejam conhecidas e possam entrar em diálogo com o mundo”. Na cultura hodierna  “os meios de comunicação social são os que mais influenciam”. Além disso, afirmou o arcebispo, especialmente quando se tenta chegar às pessoas mais jovens, a Igreja tem que “fazer uso das redes sociais para espalhar a mentalidade Católica e suas respostas atuais para as questões culturais”. Os jovens estão buscando o sentido para as suas vidas, disse ele, e se a Igreja não estiver presente no seu mundo com respostas, eles terminarão por abandonar a sua busca de Deus.
O cardeal indiano Oscald Gracias, de Mumbai, presidente da Federação de Conferências Episcopais da Ásia, disse perante ao Sínodo, que a Ásia está experimentando o auge da tecnologia das comunicações. “Isto não pode ser visto como uma ameaça, mas sim como presentes de Deus para serem utilizados para espalharem a boa nova”. Disse ainda que a Igreja tem que ajudar os padres, os bispos e catequistas para que possam prepararem os jovens para o uso dos novos meios de comunicação e beneficiar-se com isto.
O arcebispo John A. Dew de Wellington, Nova Zelândia, presidente da Federação das Conferências Episcopais da Oceania, disse aos padres sinodais que até as mídias seculares tem ajudado na evangelização Católica através da atenção que têm dado declarando os santos da região.
Além de examinar os meios de comunicação, os informativos regionais no Sínodo mencionaram em quase todas as entrelinhas da vida eclesial, desde a importância da liturgia até o impacto positivo da imigração e desde o papel dos novos movimentos laicais até a necessidade de apoiar as famílias tradicionais.
O cardeal da Tanzânia, Polycarp Pengo de Dar es Salaam presidente do Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar, disse que o aumento do fundamentalismo islâmico na África é um desafio para a obra da Igreja no continente. Os católicos têm que “enfrentar a dificuldade de dialogar com a grande maioria de bons muçulmanos que, todavia, estão calados, e os pequenos grupos de fundamentalistas”, que não estão abertos ao diálogo.
Fonte: PCCS
Jornalista: Natalia Zimbrão

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Dom Claudio Celli: a Nova Evangelização é um desafio comunicativo da Igreja

Ao término da primeira sessão dos trabalhos da XIII Assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos realizou-se, na Sala de Imprensa da Santa Sé, no Vaticano, um encontro do qual participaram o arcebispo de Washington e relator-geral do Sínodo, Cardeal Donald Wuerl, e o presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, Dom Claudio Maria Celli.

“Anunciar o Evangelho num contexto caracterizado pelas novas tecnologias. Esse é um dos principais desafios da nova evangelização”, afirmou Dom Celli ressaltando com precisão um dos temas mais difíceis que os Padres sinodais deverão abordar na definição dos objetivos da nova evangelização.

Por sua vez, o Cardeal Wuerl disse que dentre os principais temas evidenciados pelo Sínodo encontra-se o da recuperação de uma correta identidade católica: tanto entre os jovens adultos, quanto naqueles que se distanciaram da fé.

Ademais, o purpurado explicou que uma escassa consciência de identidade torna difícil também a relação e o diálogo em âmbito ecumênico. Uma das bases das quais partir novamente no complexo percurso da nova evangelização nos é dada pelo Catecismo da Igreja Católica, do qual estamos para celebrar o 20º aniversário.

Mas como transmitir corretamente a mensagem evangélica, a Palavra de Jesus no atual contexto social, como encontrar o método justo? Dom Celli falou aos jornalistas de uma Igreja que por sua natureza deve anunciar o Evangelho, e se não o faz, trai a sua vocação.

O problema não é tecnológico, mas de método: “É preciso entender como a Igreja pode dialogar com os homens e as mulheres de hoje, entrando em sintonia com eles, partilhando alegrias, esperanças, dificuldades e tensões”, explicou o presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais.

A Igreja, Mestra, deve voltar a ser também Mãe colocando-se ao lado do homem com profunda simpatia. (RL)

Fonte: Rádio Vaticano
Jornalista: Natalia Zimbrão 

domingo, 7 de outubro de 2012

Liberdade de Expressão: até mesmo direitos fundamentais devem ser exercidos sem abusos


A Constituição Brasileira declara, no seu artigo primeiro, que nosso País é um Estado Democrático de Direito que tem como fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. Estes são os chamados Princípios Fundamentais de nosso País. Cada uma das expressões mencionadas traduz valores fundamentais, que devem ser compreendidos e respeitados. Por exemplo, a soberania traduz a independência do Brasil, e o fato de que nosso País não se curva à vontade de outras nações. Já a Cidadania, é um atributo que torna uma pessoa apta a participar da política do País, votando e sendo votado. Somente compreendendo os princípios que orientam nosso Estado poderemos observá-los e respeitá-los adequadamente. Esses Princípios enunciam valores que devem irradiar-se de todos os atos da comunidade brasileira, sendo observados e respeitados por cada cidadão que a forma. Somente assim pode-se alcançar a paz social tão desejada por todos.
Essa mesma Constituição que define Princípios também assegura a todos que aqui vivem certos Direitos Fundamentais, que são, na verdade, os direitos humanos, que protegem as pessoas contra abusos praticados por quem quer que seja. Esses Direitos também devem ser compreendidos, para que possam ser adequadamente exercidos e respeitados.
Um desses Direitos Fundamentais é a Liberdade de Expressão. Trata-se, sem dúvida alguma, de um dos mais importantes, que foi conquistado após muitos anos  ao longo da história mundial. A Liberdade de expressão é protegida em todos os países civilizados nos quais a liberdade impera.
Por outro lado, a Constituição de nossa República, entre os mesmos Direitos Fundamentais, também estabelece ser “inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”. Trata-se de outro Direito Fundamental, tão importante quanto a liberdade de expressão.
Desta forma, não é permitido a ninguém, supostamente em nome da Liberdade de expressão, ferir crenças religiosas, utilizando de forma desrespeitosa símbolos sagrados para milhões de pessoas.
É fácil verificar que mesmo os Direitos Fundamentais são limitados por outros direitos fundamentais. Resta claro que a Liberdade de expressão deve ser exercida de forma responsável, de modo que se respeitem os direitos alheios, porque todo o direito exercido de forma abusiva converte-se em um mal.
Atitudes que, em nome da Liberdade de expressão, excedem os limites morais e éticos geram o caos social, a vingança e o ódio entre as pessoas, ameaçando até mesmo a paz, como se tem assistido em conflitos entre culturas diferenciadas, com reflexos nas comunidades internacionais.
Lamentavelmente têm sido frequentes esses abusos praticados em nome da Liberdade de expressão. Muitas pessoas, em busca desesperada por alguns minutos de exposição na mídia desprezam os direitos alheios e os lançam por terra, enlameando vidas, culturas, valores e até mesmo a fé. Zombam, caricaturam e ridicularizam o que têm de mais sagrado nos corações de outras pessoas, almejando apenas ganhos pessoais. Alguns grupos fundamentalistas destroem verdadeiras obras de arte do passado em razão de suas atuais crenças. Assistimos aqui no Brasil a outros tipos de fundamentalismos. É muito sério o posicionamento desses grupos diante de valores e símbolos que nosso povo venera, e que fazem parte de nossa cultura.
Nosso Estado é laico, não tendo religião oficial ou oficiosa. Mas, como já visto, por ser um Estado Democrático de Direito, o Brasil assegura a liberdade de consciência, a profissão da própria fé, bem como a proteção ao culto e à liturgia, que abrange a proteção dos símbolos que marcam a crença de cada brasileiro. O Estado, ao consagrar em sua Constituição esses Direitos, tem o inafastável dever de protegê-los, assegurando a liberdade religiosa e o devido respeito para com seus símbolos.
Fato notório nestes dias ocorrido em um órgão de imprensa escrita: desrespeitou a fé religiosa e cultural de nossa formação pátria. A pretexto de comentar críticas a fatos ocorridos nos esportes, uma revista publicou o signo sagrado da cruz, que se ergueu soberana sobre o sangue dos mártires, nela substituindo a imagem do Filho de Deus que por nós deu a vida, como Cabeça de todos os mártires – na expressão de Santo Agostinho – pela de um atleta. Repudiamos o ocorrido que gerou dentro de todos os que professam a fé católica uma dor muito grande, ao ver um símbolo nosso profanado dessa forma.
Feriu-se também a mente e o coração de todos os que reconhecem os valores do Evangelho e das pessoas de bom senso e boa vontade. Poderíamos enumerar muitos outros fatos, como fotomontagens, charges ou escritos que têm ferido, última e constantemente, o sentimento cristão de nosso povo. Infelizmente este fato não foi o único que ocorreu nesses últimos tempos, em que também se vê a ridicularização da Palavra de Deus usada como galhofa nas representações cênicas, ou mesmo a tentativa de caracterização negativa da figura de um sacerdote e de outros representantes cristãos ou não.
Foi um longo caminho da humanidade até se chegar a este momento em que se assegura a igualdade de todos e o respeito às divergências. A sociedade não pode se calar diante de tais transgressões abusivas e desrespeitosas que disfarçadas de liberdade de expressão, aviltam o que é mais caro a outras pessoas, apenas para a satisfação de propósitos egoísticos.
Um órgão de imprensa, formador de opiniões através da análise dos fatos, até mesmo quando quer satirizar tem o dever primordial de fazê-lo criteriosamente. Há um provérbio milenar que pode servir como orientação a casos como o que a Revista quer expor, e que diz que “rindo se corrige os costumes”. Há muitos meios de se fazer uma brincadeira, um comentário alegre e até mesmo uma cobrança de atitudes, sem necessidade de ofender a quem quer que seja.
Pelo que se sabe, o responsável pela publicação teria tentado justificar-se nesse caso, dizendo que não tinha intenção de profanar o símbolo cristão. Mas, infelizmente, o fez e a publicação já percorre o País nesta semana, causando mal-estar a todos os que na cruz de Cristo reverenciam o seu amor. A veiculação da imagem não denotou criatividade alguma, e muito menos qualquer ousadia, sendo apenas inadequada, desrespeitosa e ofensiva.  Podemos afirmar que não se coaduna com a moral ou com a ética a veiculação de textos ou imagens que agridem e ofendem, com o propósito único de obter promoção.
Nestes tempos em que necessitamos dos valores morais e espirituais para o nosso povo cansado e angustiado por tantos escândalos acontecem esses lamentáveis fatos. A história deverá julgar os caminhos que estão sendo percorridos atualmente em nossa sociedade ocidental. Resta a certeza de contarmos com o apoio da sociedade, que tem compreendido que exemplos de mau jornalismo, que em razão de evidente falta de conteúdo buscam apenas polemizar, ao invés de informar, merecem apenas o esquecimento.
Em Nota Oficial, a nossa Conferência Episcopal (CNBB) pede a conscientização da Comunidade Cristã sobre o fato, a que deve repudiar e denunciar com os ideais evangélicos do respeito aos que erram e prosseguir no seu trabalho de evangelização, para que sejam sempre respeitados os direitos da pessoa e se possa viver na paz.
 + Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Presidente do Regional Leste 1
Fonte: CNBB Leste1

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A questão de Deus no continente digital de S. E. Dom Claudio M. Celli


O “Lineamenta”, redigido pela Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, em vista dos trabalhos da próxima Assembléia Geral Ordinária, dedica 4 parágrafos (59-62) ao tema das mídias no contexto da nova evangelização, com um títolo muito significativo: «As novas fronteiras do cenário comunicativo».
O documento reconhece que o atual mundo da comunicação “oferece enorme possibilidade e representa um dos grandes desafios da Igreja” (n.59), que as “novas tecnologias digitais deram origem a um verdadeiro e próprio espaço social, cujos laços são capazes de influir sobre a sociedade e sobre a cultura” (n.60) e que “da influência que eles exercem depende da percepção de nós mesmos, dos outros e do mundo” (n.60).
Desta forma, emerge claramente à consciência que nos encontramos diante de uma cultura – as recentes interversões do Magistério Pontifício falam de uma “cultura digital” – tendo como origem as novas tecnologias comunicativas e que estas sejam um grande desafio para a comunidade eclesial.
Mesmo porque durante os trabalhos da próxima Assembleia Geral Ordinária do Sínodos, coincide com o 50° aniversário de abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II, isto me parece não só interessante, mas também uma oportunidade de retornar, antes de tudo, ao documento fundante da reflexão eclesial sobre os instrumentos de comunicação social, direi o Decreto Conciliar “Inter Mirifica”, aprovado em 4 de dezembro de 1963.
Os padres conciliares, levando em consideração que se tratava das “maravilhosas invenções técnicas”, que “dizem respeito, principalmente, ao espírito humano e que abriram novos caminhos para comunicar facilmente notícias, ideias e ordens” (n.1), também são amplamente conscientes de que tem muita ressonância com os “instrumentos que, por sua natureza podem movimentar não somente uma singela pessoa, mas também às multidões e a toda a sociedade humana” (n.1) e “que contribuem eficazmente para unir e cultivar os espíritos e propagar e afirmar o reino de Deus” (n.2).
Nesta perspectiva, o Decreto afirma que a Igreja “considera parte da sua missão servir-se dos instrumentos de comunicação social para pregar aos homens a mensagem de salvação e ensinar-lhes o uso recto destes meios” (n.3)
Esta visão das mídias como “instrumentos” prevalecerá nos anos seguintes do Magistério, ou seja, a Instrução Pastoral sobre as Comunicações Sociais “Communio et Progressio”, publicada pela Pontifícia Comissão para as Comunicações Sociais, em 23 março 1971, e a Instrução Pastoral “Aetatis Novae” publicada pelo Pontifício Conselho das Comunicações Sociais – este é o seu novo nome – em 22 de fevereiro de 1992, e as várias intervenções do Papa Paulo VI.
Seria suficiente recordar, a este propósito, uma significativa passagem da exortação Apostólica “Evangelii Nuntiandi” onde o Papa Paulo VI, referindo-se aos meios de comunicação sociais, afirma que “postos ao serviço do Evangelho, tais meios são susceptíveis de ampliar, quase até ao infinito, o campo para poder ser ouvida a Palavra de Deus e fazem com que a Boa Nova chegue a milhões de pessoas” (n.45). A questão é tão séria e fundamental para a comunidade dos discípulos do Senhor que o Papa não tem nenhuma dificuldade de reconhecer que: “A Igreja viria a sentir-se culpável diante do seu Senhor, se ela não lançasse mão destes meios potentes que a inteligência humana torna cada dia mais aperfeiçoados. É servindo-se deles que ela “proclama sobre os telhados”, a mensagem de que é depositária. Neles encontra uma versão moderna e eficaz do púlpito” (n.45).
Grande parte do mundo comunicativo mudará radicalmente com o descobrimento e a ampla difusão das novas tecnologias que, como ressaltam os estudiosos, não serão mais vistos como simples instrumentos, mas transformados em verdadeiros e próprios ambiente de vida.
Somente os dois últimos Sumos Pontífices – o Beato João Paulo II e Bento XVI – , a colocar na luz estes acontecimentos no campo da comunicação e perceberem, com lucidez pastoral, os consequentes desafios e oportunidades para a ação evangelizadora da Igreja.
O Beato João Paulo II, na Carta Apostólica “O rápido desenvolvimento”, (2005) relevou com clareza que: “os meios de comunicação social alcançaram tal importância que se tornaram para muitos o principal instrumento de guia e de inspiração para os comportamentos individuais, familiares e sociais. Trata-se de um problema complexo, visto que esta cultura nasce, ainda antes do que dos conteúdos, do próprio fato que existem novos modos de comunicar com técnicas e linguagens inéditas” (n.3).
Portanto, “A Igreja (…) não está chamada unicamente a usar os mass media para difundir o Evangelho mas, hoje como nunca, está chamada também a integrar a mensagem salvífica na “nova cultura” que os potentes instrumentos da comunicação criam e amplificam. Ela sente que o uso das técnicas e das tecnologias da comunicação contemporânea é parte integrante da sua missão no terceiro milênio” (ibidem, n.2).
Sobre a mesma linha se coloca o Magistério do Papa Bento XVI quando, na Mensagem para a 43° Dia Mundial das Comunicações Sociais (2009), escreve: “Senti-vos comprometidos a introduzir na cultura deste novo ambiente comunicador e informativo os valores sobre os quais assenta a vossa vida!” e, referindo-se ao delicado tema da relação entre evangelização e novas linguagens, acrescentou: “Nos primeiros tempos da Igreja, os Apóstolos e os seus discípulos levaram a Boa Nova de Jesus ao mundo greco-romano: como então a evangelização, para ser frutuosa, requereu uma atenta compreensão da cultura e dos costumes daqueles povos pagãos com o intuito de tocar as suas mentes e corações, assim agora o anúncio de Cristo no mundo das novas tecnologias supõe um conhecimento profundo das mesmas para se chegar a uma sua conveniente utilização”.
Estes textos do Magistério, acima citados, ajudam a compreender que a missão evangelizadora da Igreja não pode encontrar a sua plena realização somente na capacidade tecnológica-comunicativa, mesmo a mais moderna e sofisticada. Já o Papa Paulo VI recordava a todos nós que “para a Igreja, o testemunho de uma vida autenticamente cristã, entregue nas mãos de Deus, numa comunhão que nada deverá interromper, e dedicada ao próximo com um zelo sem limites, é o primeiro meio de evangelização” (EN, n.41).
Todavia, sempre Paulo VI frisava, ao mesmo tempo, que “este problema do ‘como evangelizar’ apresenta-se sempre atual, porque as maneiras de o fazer variam em conformidade com as diversas circunstâncias de tempo, de lugar e de cultura, e lançam, por isso mesmo, um desafio em certo modo à nossa capacidade de descobrir e de adaptar. A nós especialmente, Pastores da Igreja, incumbe o cuidado de remodelar com ousadia e com prudência e numa fidelidade total ao seu conteúdo, os processos, tornando-os o mais possível adaptados e eficazes, para comunicar a mensagem evangélica aos homens do nosso tempo” (EN. n.40).
Acredito que também hoje, sejam necessários audácia e sabedoria no nosso ministério pastoral para encontrar outras vias e capacidades de usar novas linguagens para evangelizar, em um contexto onde o homem é sobrecarregado de mensagens ou de não poucas respostas às perguntas que antes não eram nem mesmo mencionadas. A tensão na busca da verdade, que constitui a mais autêntica dimensão da dignidade do homem, também deve ter espaço em uma multiplicidade de informações que assaltam o homem hodierno no seu caminho existencial.
Se trata também da busca, muitas vezes sofrida, de Deus e como dizia o Papa Bento XVI: “Como primeiro passo da evangelização devemos procurar ter uma tal busca; devemos preocuparmo-nos de que o homem não deixe de lado a pergunta sobre Deus, mas a tenha como questão essencial da sua existência. Ter a preocupação que eles aceitem tal interrogação e a saudade que nela se oculta” (Discurso dirigido à Cúria Roma, 21/12/2009).
Me parece que, em maneira quanto mais apropriada, o “Lineamenta” afirme a este respeito: “As comunidades cristãs puderam, pois, aprender que hoje a missão não é mais um movimento Norte-Sul ou Oeste-Este, porque é preciso desvincular-se dos limites geográficos. (…) Desvincular-se dos limites geográficos significa ter a capacidade para colocar a questão de Deus em todos aqueles processos de encontro, mistura, reconstrução das relações sociais que estão em curso por toda a parte” (n.70).
Neste campo joga-se um papel particular das novas tecnologias comunicativas que, como dizia acima, dão origem a uma verdadeira e própria cultura digital, favorecendo também a configuração de uma sociedade caracterizada pelo fenômeno da globalização.
Uma vez que a fé prevê um encontro pessoal com Jesus Cristo, a ação evangelizadora deverá prestar uma atenção especial à concreta e singular situação do destinatário do anúncio, respeitando o absoluto primado da relação com a pessoa. Neste contexto, acredito que seja de dever recordar a importância das várias linguagens com as quais somos chamados a anunciar o Evangelho ao homem de hoje, na sua dolorosa consciência que, pouco a pouco, as futuras gerações – particularmente no continente europeu – crescerão sem conhecer os conteúdos fundamentais do anúncio evangélico e a mesma simbologia cristã.
Qual linguagem usar para que Jesus Cristo seja anunciado ao homem de hoje e possa assim interpelar o coração de cada ser humano? Penso que esta seja um dos desafios mais importantes e urgentes para a missão salvadora da Igreja no mundo contemporâneo. Caráter eminentemente interpessoal da evangelização, e testemunho em todos os sentidos, parecem a primeira vista dois aspectos em contraste com as características do mundo comunicativo de hoje e a fundamental missão da Igreja. A dimensão digital parece mal relacionar-se com a exigência de algo concreto ligado ao caminho de evangelização, e ao mesmo tempo se pode dizer, da perspectiva globalizante quase impessoal da rede que parece estar em estridente oposição com as necessárias dimensões pessoais – falemos de espírito, de coração – do relacionamento do ser humano com Deus em Jesus Cristo.
Não nego que existe de fato certas posições suspeitosas e críticas no confronto das novas tecnologias – o Lineamenta menciona certos limites no artigo 62 – mas é verdade que isso fez com que crescesse ainda mais as capacidades de conhecimento e relação do homem e as redes sociais que são o ambiente existencial de centenas de milhões de pessoas, conectadas em rede.
Que grande oportunidade e desafio para a comunidade de fiéis em Cristo, que têm nas suas mãos a palavra da vida!
Por este motivo é urgente o convite que o Papa Bento XVI dirigiu em 2010 através da Mensagem para a Jornada Mundial das Comunicações Sociais: “O desenvolvimento das novas tecnologias e, na sua dimensão global, todo o mundo digital representam um grande recurso, tanto para a humanidade no seu todo como para o homem na singularidade do seu ser, e um estímulo para o confronto e o diálogo. Mas aquelas apresentam-se igualmente como uma grande oportunidade para os crentes. De facto nenhum caminho pode, nem deve, ser vedado a quem, em nome de Cristo ressuscitado, se empenha em tornar-se cada vez mais solidário com o homem. Por conseguinte e antes de mais nada, os novos media oferecem aos presbíteros perspectivas sempre novas e, pastoralmente, ilimitadas, que os solicitam a valorizar a dimensão universal da Igreja para uma comunhão ampla e concreta”.
Acredito que o Papa seja plenamente consciente dos limites das novas tecnologias e de certa influência negativa que esta pode exercitar especialmente sobre o mundo juvenil, mas mesmo assim, não o teme, ao contrário, convida a Igreja “a exercer uma «diaconia da cultura» no atual «continente digital». (…) Com o Evangelho nas mãos e no coração, é preciso reafirmar que é tempo também de continuar a preparar caminhos que conduzam à Palavra de Deus, não descurando uma atenção particular por quem se encontra em condição de busca, mas antes procurando mantê-la desperta como primeiro passo para a evangelização”.
E a reflexão pontifícia prevê a criação de uma “pastoral no mundo digital”, chamada a “incluir também aqueles que não creem, se encontram sem esperança e tem no coração o desejo do absoluto e da verdade duradouro, do momento que os novos meios consentem de entrar em contato com os seguidores de cada religião, com os não crentes e pessoas de cada cultura”. (Mensagem para o XLIV Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2010).
Prosseguindo nesta linha o Papa se pergunta – usando uma imagem audaciosa mas significativa – se a web não possa abrir espaço – como o átrio dos gentios, do Templo de Jerusalém – também àqueles para os quais Deus é ainda um desconhecido. (Cfr. Mensagem para a XLIV Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2010).
Os textos do Magistério papal acima retomados são palavras pastoralmente iluminadas que podem ajudar, à vigília dos trabalhos do próximo Sínodo, a refletir com “audácia e sabedoria”, sobre o grande desafio que as novas tecnologias comunicativas colocam no caminho da evangelização, percebendo também as grandes oportunidades.
Fonte: PCCS

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Muticom será lançado dia 31

Uma programação está sendo preparada para o lançamento do 8º Mutirão Brasileiro de Comunicação, marcado para o dia 31 de outubro. Pela manhã, das 9 às 11 horas, será desenvolvida uma programação, no auditório do Laboratório de Comunicação, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, campus de Natal.



Na ocasião, haverá uma palestra sobre o tema do Mutirão – “Comunicação e participação cidadã: meios e processos”, proferida pelo Padre Ermanno Alegri, diretor da Agência de Notícias Adital, de Fortaleza (CE). Além da palestra, haverá a divulgação da programação e da canção do 8º Muticom.
 
Ainda, no dia 31, das 14 às 15 horas, a Rádio Rural de Natal levará ao ar um programa especial sobre o Mutirão. “Nesse programa, teremos a participação de várias pessoas, como a Irmã Élide Fogolari, assessora da Comissão de Comunicação, da CNBB; da Irmã Helena Corazza, presidente da Signis Brasil; dos coordenadores das equipes de preparação do Mutirão, e de pessoas de vários estados do Brasil, que já estão se preparando para vir a Natal, no próximo ano, para participar do evento”, explica Cacilda Medeiros, coordenadora da Equipe de Comunicação. O programa será transmitido, também, por várias outras emissoras de rádio.

“O Mutirão só será realizado no período de 27 de outubro a 01 de novembro de 2013. Decidimos fazer esse momento de lançamento, exatamente um ano antes, para dar oportunidade de as pessoas, especialmente as que residem em outros estados, se preparem para participar do encontro”, diz o coordenador geral do Mutirão, Padre Edilson Nobre.

O Mutirão Brasileiro de Comunicação é promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – e Signis Brasil, conjuntamente com outras instituições.

Fonte: Muticom
Jornalista: Natalia Zimbrão