segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Os desafios da comunicação digital para a Igreja

O jesuíta italiano Antonio Spadaro, autor da primeira entrevista de fundo ao Papa, fala sobre o exemplo de Francisco e as mudanças em curso na reflexão teológica por causa da internet.
Agência ECCLESIA (AE) – Como fazer Teologia nesta era digital, qual é o desafio?
Padre Antonio Spadaro  (PA) – O desafio é o de sempre, é o de pensar a fé no mundo em que vivemos, no mundo cultural, na história em que vivemos. A internet tem hoje, certamente, um grande impacto no nosso modo de pensar, de pensar em geral. Então, dado que a Teologia é pensar a fé – na definição clássica, ‘intellectus fidei’ –, se a rede tem um impacto na forma de pensar – e a Teologia é pensar a fé -, a rede terá um impacto na forma de pensar a fé?
Esta é a pergunta que eu coloco e é o grande desafio da Igreja: a Igreja é chamada a estar onde estão os homens, hoje eles estão também na rede, pelo que a Igreja é chamada a estar também na rede. 
AE – Esse conceito de rede significa algo mais… Estamos habituados a pensar na internet e no mundo digital como um meio, mas essa não é, neste momento, a abordagem mais adequada.
PA  – Não, não é a abordagem mais adequada, e de resto a Igreja está a mover-se neste sentido, está a dar passos. As mensagens de Bento XVI para os Dias Mundiais das Comunicações Sociais, especialmente nos últimos anos, foram muito claras: fala-se claramente do mundo digital como um ambiente, não como instrumento, e é um ambiente comum, como diz mesmo Bento XVI na sua última mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, é onde as pessoas vivem, se exprimem, pensam, criam relações.
A Igreja é, por isso, chamada não a usar a rede, mas a viver neste ambiente.
 AE – O que é que significa também para a Igreja esta mutação, por assim dizer, para que esta rede seja verdadeiramente um ambiente de vida?
PA   – Isso significa simplesmente estar lá e estar significa viver, viver dentro. Não se pode perceber estando fora, fazendo análises.
Portanto, significa compreender como as questões religiosas, por exemplo – as perguntas de fé, também as dúvidas, as tensões, hoje também se exprimem na rede. Sabemos disso, em particular os mais jovens, no Facebook, no Twitter, com as imagens no Instagram e por aí fora.
Tudo isto se exprime aquilo que é o grande desejo do homem de viver relações mais fortes, mais autênticas. O bem, o mal, no fundo, encontram-se na rede como se encontram na vida física. Por isso, para a Igreja estar na rede significa, em primeiro lugar, escutar, ouvir o que dizem os homens, como vivem neste ambiente, quais são as tensões profundas da humanidade que emergem, sem se deixar amedrontar pelo mal, procurando também perceber o bem, procurando ter uma visão evangélica do modo como o homem se exprime hoje, inclusive no ambiente digital.
 AE – Daquilo que é possível perceber neste mundo que está sempre em mutação, também o mundo digital tem necessidade de Deus, de rezar, de celebrar, pode dizer-se… Como compreender isto?
PA  – É curioso, porque de fato aquilo que impressiona, que me impressionou desde o início e me levou a estudar este fenômeno, foi ver como também a necessidade espiritual do homem, mesmo a necessidade de rezar, emergia na rede. Em realidades aparentemente estranhas, como o “Second Life”, que era um mundo paralelo, havia igrejas, inclusive casas de exercícios espirituais, onde os avatares se reuniam para rezar. Podemos dizer muitas coisas sobre isso, mas apercebi-me como a necessidade de Deus emerge também na rede. A Igreja não pode ficar surda diante disto, deve perceber o que isto significa.
 AE – Por vezes há confusão, também nos media, quando se diz que alguém se pode confessar no Twitter. Para esta reflexão específica sobre os sacramentos, esta mutação, este modo de ser traz efetivamente desafios próprios?
PA  – Temos de entender-nos: o ambiente digital não substitui o ambiente físico. Este é um ponto: não há substituição, há uma integração. A questão é não viver a esquizofrenia, por causa da qual se escolhe ou o ambiente físico ou o ambiente digital.
Há coisas que apenas se podem fazer no mundo físico: imaginemos os cheiros, os sabores. Ou seja, a nossa vida sensível exprime-se no ambiente físico. O ambiente digital, por outro lado, ajuda-nos na nossa comunicação, isto é, ainda que vivamos de um modo diferente, conseguimos comunicar, sem as barreiras do espaço e do tempo, graças à internet.
Posso dar um pequeno exemplo, que vivi. Eu dou aulas na Universidade Pontifícia Gregoriana e um aluno meu nigeriano, que vive em Roma, disse-me uma vez: “Sabe, padre, eu amo o meu computador”. Eu perguntei-lhe: “Mas por que amas o teu computador”. A sua resposta foi: “Porque dentro estão todos os meus amigos”.
Esta resposta tocou-me, porque no fundo o ambiente digital era para ele o modo de permanecer em contacto com a sua família, os seus amigos, o seu ambiente. Isto é extremamente interessante e faz-me refletir.
 AE – Já disse várias vezes, em conferências, que o próximo neste tempo é quem está conectado e esta ideia de ligação é um conceito central, também para o Cristianismo. Há, digamos, uma abordagem que se pode fazer a esta linguagem do mundo digital e também à linguagem católica, para que se encontrem nesta ideia de conexão?
PA   – A Igreja tem dois mil anos de sabedoria ligada à comunicação, à comunicação de uma mensagem, e à relação. No fundo, poderia dizer isto: a Igreja e a rede estiveram sempre destinados a encontrar-se, porque aquilo que funda a rede são as relações – pensemos nas amizades, nas relações entre pessoas -, e a comunicação de uma mensagem. E aquilo que funda a Igreja são as relações de comunhão e a comunicação da mensagem evangélica.
Portanto, a rede e Igreja são chamadas desde sempre, de alguma forma, a encontrar-se. É certo, no entanto, que para a Igreja não basta a conexão, a comunhão é muito mais e não é o fruto dos esforços humanos, é um dom que se recebe do Alto. Diria que a Igreja não pode reduzir as relações eclesiais às meras conexões, a Igreja tem consciência de que a experiência de comunhão que vive é um dom do Espírito.
AE – Talvez por causa desta dimensão mais profunda, mas não só, exista um pouco de ceticismo, algumas reservas em várias intervenções do magistério, nas quais se diz que há potencialidades nestas novas tecnologias, mas recordando os perigos, aquilo que é preciso superar. É compreensível, esta posição?
PA   – Absolutamente, e também muito importante. Evidentemente, até pela facilidade e pela rapidez de conexão, o bem e o mal passam rapidamente e, por isso, também o mal: existem riscos, os riscos de alienação, de esquizofrenia, mas também na vida física há muitos riscos, há alienações, há grandes contradições. Os riscos que se correm não nos devem assustar, temos de enfrentar grandes desafios, até porque a internet não é algo que possa deixar de existir, é um dado de facto, por isso a questão não é “internet sim” ou “internet não”, mas como viver bem no tempo da internet.
 AE – Na sua entrevista às revistas jesuítas, o Papa Francisco disse que é necessário entender sempre como é que o homem de hoje se compreende. Esta dimensão digital não é uma dimensão que se possa negligenciar.
PA   – Não, não. Nem é sequer estática, isto é, o homem desenvolve uma compreensão de si cada vez maior, isso di-lo o Papa, na sua resposta. Este é um grande desafio: precisamos de ser geniais, como diz o Papa, esta é uma passagem que me tocou muito, não podemos ser estáticos, não podemos usar sempre as mesmas categorias, não podemos ficar parados quando o homem muda um pouco o modo de se ver a si mesmo. A Igreja deve escutar o homem, a forma como se interpreta, para então comunicar a sabedoria do Evangelho e da sua tradição, com muitos anos, sabendo que a tem de comunicar. Para isso tem de conhecer as categorias que o homem vive hoje na sua história, na sua cultura.
 AE – Para si, como foi a experiência de entrevistar o Santo Padre?
PA  – Bem, foi… diria que é impossível entrevistar o Papa. Pode dizer-me: Mas como, se o entrevistou? Não, é impossível porque na realidade, o Papa não consegue estar dentro de esquemas demasiado rígidos.
 AE – Pergunta-resposta…
PA – Exato. A pergunta-resposta, pergunta-resposta com ele é impossível. Ele expande o seu pensamento na relação, digamos.
Eu tinha diante de mim, naturalmente, papel e caneta, para além do gravador, e a certa altura deixei de lado o papel e a caneta porque acabavam por ser um filtro. O cenário da nossa entrevista na realidade o de uma conversa amigável.
 AE – Pensa que os media e as pessoas em geral compreenderam bem esta entrevista?
PA   – Eu penso que as pessoas perceberam muito bem. Recebi mais de mil mensagens, de pessoas – mesmo de pessoas afastadas, de sacerdotes que tinham deixado o sacerdócio há anos, que deixaram mesmo a Igreja – que me escreveram e diziam: Se tivesse lido esta entrevista anos atrás, não teria deixado a Igreja.
Tive a perceção de que houve uma grande, como dizer, uma nova consciência: as pessoas escutam muito bem as palavras tão diretas, simples, do Papa. Houve uma grande reação.
Diria que, mais do que a reação dos media, me tocou a reação das pessoas, que perceberam bem o Papa.
Os jornais, por vezes, tiram uma ou outra palavra, sublinham uma ou outra palavra, procurando criar oposições. Na realidade, o discurso é um discurso muito fluído.
 AE – Neste discurso, nunca ficou surpreendido?
PA   – Ah, sempre! Sempre, mas também pela atitude do Papa: por exemplo, o Papa exprime uma grande autoridade, mas sem qualquer distância. Ou seja, falar com ele é perceber a sua autoridade, de pontífice, e isso para mim é muito claro, nunca perdi essa percepção. Mas ao mesmo tempo, não percebi qualquer distância, percebi uma comunicação fluída, diria quase amigável, de absoluta espontaneidade e imediates.
Em nenhum contexto houve rigidez ou a percepção de que alguma pergunta fosse melhor não a fazer. Foi totalmente livre e aberto, disponível para qualquer questão e foi uma conversa muito aberta.
 AE – Esta conversa permitiu, por assim dizer, abrir as portas para aquilo que o Papa pretende para a Igreja.
PA  – Com certeza, mas gostaria de dizer uma coisa que me parece importante: o Papa não tem ideias claras, a priori, distintas. Para alguns é como se o Papa tivesse ideais precisas, que depois coloca imediatamente em prática. Não.
Na verdade, ele vive num processo de discernimento, ele compreende o que tem de fazer, começando a agir, vendo as reações, seja das pessoas à sua volta, das pessoas em geral, seja as reações que ele tem na oração, e depois segue em frente, consultando e rezando. Diria que o Papa abre um processo e talvez nem ele próprio saiba bem onde vai chegar esse processo. Neste sentido, está profundamente ligado à espiritualidade que incarna, à espiritualidade inaciana, que é a espiritualidade do discernimento espiritual.
AE – Também sobre o mundo da Comunicação, o Papa Francisco tem já duas ou três intervenções que são verdadeiramente importantes, como o discurso ao Conselho Pontifício, também já escolheu o tema para o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais. O que é que podemos aprender com este pontificado sobre o modo como devemos ser comunicadores?
PA   – Digamos que, até há algum tempo, a comunicação significava transmitir. Agora significava compartilhar e nisso o Papa é extraordinário. Disse numa entrevista que o Papa não comunica, o Papa cria acontecimentos comunicativos, nos quais aqueles que recebem a mensagem se tornam atores e não simplesmente espectadores.
Recordemos o momento em que o Papa aparece na varanda da Basílica de São Pedro, na tarde da sua eleição: deu a sua bênção, mas antes de dar a bênção inclinou-se para receber a oração das pessoas que estavam na praça. Assim, tornou protagonistas os homens e mulheres que estavam diante dele, naquela praça, e isso é muito interessante: o Papa não torna as pessoas passivas, mas torna-as ativas, dinâmicas, capazes de serem participantes nos acontecimentos. O Papa é um homem das redes sociais.
AE – Deveria ser um exemplo para quem tem a missão de comunicar, não propor apenas ideias e discursos, mas ter também esta capacidade de escutar e de interagir?
PA   – O Papa ultrapassou o conceito do púlpito, da Igreja que é exclusivamente emissora de uma mensagem, que está a pregar do púlpito, de maneira distante das pessoas. Não, a sua forma de comunicar é o típico das redes sociais, ainda que o Papa não tenha nenhum contacto com as tecnologias. A questão é que ele vive de forma espontânea e natural este modo de comunicar e este foi sempre assim, mesmo como arcebispo de Buenos Aires.
AE – Podemos falar de forma mais específica sobre a existência de uma conta do Papa Francisco no Twitter. É um verdadeiro caso de sucesso. Como se entende que alguém que não interage com outras contas consiga ser seguido por 9 milhões de pessoas e repetido por tanta gente? Como se explica?
PA   – O Papa quando comunica, comunica com total espontaneidade e imediates. Por isso, a sua mensagem é acolhida, comentada, retweetada. Então, o fato de que o Papa esteja também nas redes sociais, de forma particular no Twitter, com a sua mensagem tem este significado: torná-la disponível para a partilha comigo.
AE – Regressando ao tema da ciberteologia, daquilo que o trouxe a Portugal: nas suas conferências não há só católicos, com certeza, não há só membros da hierarquia. As pessoas ficam surpreendidas com este conceito de Teologia no mundo digital e com a introdução na Teologia dos novos conceitos que o mundo digital trouxe?
PA   – Bem, devo dizer que há por certo conceitos que talvez sejam novos, mas tudo somado não diria que há algo radicalmente novo. Nós deixamo-nos impressionar pela tecnologia, vendo que as máquinas funcionam bem, que nos espantam pela sua qualidade, ficando profundamente impressionados por isso.
Na verdade, deveríamos questionar-nos sobre quais as necessidades a que tudo isto responde: indagando bem, as necessidades do homem são sempre as mesmas dos antigos, ou seja, a necessidade de conhecer a realidade, a necessidade de relacionar-se com o outro. No fundo, o ambiente digital responde a estas necessidades: relação, conhecimento, comunicação. São necessidades que o homem sempre teve.
Por isso, diria que deveríamos ser menos tocados pelo aspeto tecnológico e deveríamos, pelo contrário, ficar mais impressionados pela importância que estas necessidades que o homem sempre teve ainda hoje têm.
AE – Para a linguagem teológica, não basta esta parte técnica, uma tecnofilia, não é suficiente.
PA   – Não, de forma alguma. É preciso que não nos deixemos enganar, deste ponto de vista, é preciso perceber o que leva o homem a agir. No fundo, o grande preconceito que temos, talvez o tenhamos vivido sempre e sobretudo no século passado, foi o de separar a espiritualidade do homem da sua elaboração tecnológica.
Na realidade, a tecnologia é uma forma de espiritualidade, isto é, exprime necessidades espirituais do homem, é um fato no qual atua a liberdade, o bem e o mal. Ficamos impressionados pelo uso terrível da tecnologia na II Guerra Mundial, da bomba, substancialmente. Ficamos impressionados com este uso negativo e consideramos a tecnologia como algo frio, distante, desumano. Mas na verdade não é assim, porque a tecnologia tem um papel importante no projeto de Deus para a humanidade.
No fundo, a verdadeira pergunta da ciberteologia é muito simples: qual é o projeto de Deus na internet, isto é, qual é o significado no plano de Deus para a humanidade.
AE – Coloco uma questão hipotética: ainda que não nos devamos centrar apenas na tecnologia, é possível pensar que um dia essa tecnologia seja uma extensão do humano, não só do ponto de vista externo, mas também implantada ou noutras dimensões. Que desafios pode trazer à Teologia esta fusão da tecnologia no humano?
PA   – Vejamos, é preciso perceber, discernir sobre o concreto, não se podem fazer discursos demasiado abstratos, porque como dizia antes, o campo da tecnologia é o campo da liberdade, no qual o homem pode agir bem ou mal e isto deriva sempre da sua espiritualidade. Onde não é possível o mal, não há sequer liberdade.
O fato de ser possível agir mal significa que há verdadeiramente um campo de escolha, o campo da liberdade. Temos de estar muito atentos a isto, porque é preciso salvaguardar a humanidade do homem: não é idolatrar a tecnologia, mas perceber como e se a elaboração tecnológica do homem responde à sua vocação do seu espírito. Aqui entra em função, se quisermos, o discurso moral, do meu ponto de vista a Teologia Espiritual.
AE – Para não se perder esta dimensão que vai para lá da mundanidade, digamos…
PA   – Esta é a questão: é preciso ter em conta não só a liberdade de fazer o bem e o mal mas também a capacidade de o homem exprimir os valores mais profundos da sua humanidade. A tecnologia pode ser uma grande aliada.
De fato, Bento XVI, na sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais há dois anos, disse com toda a clareza que a tecnologia pode ajudar o homem a satisfazer o seu desejo de sentido. Mas Paulo VI, em 1964, falamos de um mundo, verdadeiramente um outro mundo, disse que o cérebro mecânico pode ir em auxílio do cérebro espiritual. Ou seja, o computador, o cérebro mecânico vai ajudar o cérebro espiritual do homem que se exprime no pensamento, na linguagem.
A Igreja, na realidade, sempre percebeu a conexão profunda, vital, entre tecnologia e espiritualidade, somos nós que temos dificuldades para vivê-la a fundo.




Fonte: Agência Ecclesia

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

"Comunicação a serviço de uma autêntica cultura do encontro"

Tema do  Mensagem do Santo Padre para a Jornada Mundial das Comunicações Sociais 2014

O ser humano se expressa acima de tudo na capacidade de comunicar. Na comunicação e através dela podemos, de fato, encontrar outras pessoas, expressar o que somos, o nosso pensamento, o que acreditamos, como queremos viver e, talvez o mais importante, aprendemos a conhecer as pessoas com as quais somos chamados a viver. Uma tal comunicação requer honestidade, respeito recíproco e compromisso para aprender uns com os outros, exige a capacidade de saber dialogar respeitosamente com as verdades dos outros. Muitas vezes, de fato, o que inicialmente poderia aparentar uma "diversidade" revela a riqueza da nossa humanidade e na descoberta do outro encontramos igualmente a verdade do nosso ser.

Na nossa época se está desenvolvendo uma nova cultura, favorecida pela tecnolocia, e a comunicação é em certo modo "amplificada" e "continua". Somos desta maneira chamados a "Fazer redescobrir, no encontro pessoal e também através dos meios de comunicação social, a beleza de tudo o que está na base do nosso caminho e da nossa vida, a beleza da fé, a beleza do encontro com Cristo."(Discurso do Papa Francisco aos participantes da Assembléia Geral do Pontificio Conselho para as Comunicaçõees Sociais, 21 Setembro de 2013).


Neste contexto, cada um de nós deveria acolher o desafio de ser autêntico, testemunhando os valores nos quais acredita, a sua identidade cristã, a sua experiência cultural, expresso com uma nova linguagem, para se chegar a partilha.


A capacidade de comunicar, reflexo da nossa participação no criativo, comunicativo e unificante Amor Trinitário, é um dom que nos permite de crescer nos relacionamentos interpessoais, que são uma riqueza na nossa vida, e de encontrar no diálogo uma resposta àquelas divisões que criam tensões no interior das comunidades e entre as nações.


A Era da Globalização impõe com força que a comunicação possa chegar aos lugares mais remotos do mundo real, mas também "nos ambientes criados pelas novas tecnologias, nas redes sociais, para fazer emergir uma presença... que escuta, dialoga, encoraja". (Discurso do Papa Francisco aos participantes da Assembléia Geral do Pontificio Conselho para as Comunicaçõees Sociais, 21 Setembro de 2013), para que ninguém se sinta excluído.
A Mensagem para a Jornada Mundial das Comunicações Sociais de 2014 quer explorar o potencial da comunicação, em um mundo sempre mais conectado e em rede, a fim de que as pessoas estejam mais próximas uma das outras e seja construído um mundo mais justo.


A Jornada Mundial das Comunicações Sociais, único dia mundial estabelecido pelo Concílio Vaticano II ("Inter Mirifica", 1963), vem sendo celebrada em muitos países, sobre a recomendação dos bispos do mundo, no Domingo que antecede o Pentecostes (em 2014, dia 1 de junho).
A Mensagem do Santo Padre para a Jornada Mundial das Comunicações Sociais vem sendo tradicionalmente publicada na ocasião da Festa de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas (24 Janeiro).


Fonte: PCCS

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Pátio dos Gentios dedicado aos jornalistas. O diálogo entre o Cardeal Ravasi e o jornalista Scalfari

Realizou-se em Roma, nesta quarta-feira (25), o ‘Pátio dos Gentios’ dedicado aos jornalistas. No centro do encontro, o diálogo entre o Presidente do Pontifício Conselho da Cultura, Cardeal Gianfranco Ravasi e o fundador do jornal italiano ‘La Repubblica’, Eugenio Scalfari. O ‘Pátio dos Gentios’ é a estrutura criada por Bento XVI para promover o diálogo entre crentes e não-crentes.
“Não estamos aqui para convertermo-nos mutuamente, mas temos em comum a convicção que as nossas posições diversas devam ser fermento para uma terra que tem necessidade de ser fertilizada”. Assim, Eugenio Scalfari concluiu seu diálogo com o Cardeal Ravasi, com o qual confessa ter, há muito tempo, um território espiritual e mental comum. O fundador do ‘La Reppublica’ havia aberto a conversação destacando ser ‘enamorado’ de Jesus desde que, na juventude, escolheu abandonar a fé. Recorda ter praticado, forçosamente, os Exercícios Espirituais na Casa do Sagrado Coração em Roma, onde encontrou refúgio como renitente à onda fascista. “Devo muito àqueles jesuítas que me ensinaram a raciocinar – confessa Scalfari – mas sou enamorado dos franciscanos”.
O intelectual não-crente explica assim o seu interesse pelo diálogo com os católicos e individua na morte de Cristo na cruz o ápice da encarnação e da mensagem cristã. É justo naquela escolha de colocar o amor pelos outros como anterior ao egoísmo, que Scalfari encontra a mensagem mais importante para uma sociedade onde “a taxa de narcisismo tornou-se patológica’”.
O Cardeal Ravasi, por sua vez, louva Scalfari pela intuição e responde descrevendo o grito de Cristo na Cruz – “meu Deus, porque me abandonaste? – como “o ateísmo salvífico de Cristo”, a quem – especifica ele – a teologia justapõe a Ressurreição enquanto Cristo permanece o Filho mesmo se não sente o Pai e assim “depõe na mortalidade a semente do infinito”.
O Presidente do Pontifício Conselho da Cultura retoma também o tema do papel da Igreja na revolução da comunicação da era digital. Recorda que Jesus nos Evangelhos, nos oferece um método quando utiliza a linguagem breve do ‘tweet’ de modo sistemático, o roteiro televisivo por meio das ‘parábolas’ e baseia na corporeidade o seu anúncio. “Se um pastor hoje não se interessa pela comunicação – observou – está fora do seu ministério”. Mas no ambiente da nova comunicação digital – explica o Cardeal Ravasi – a linguagem da Igreja deve ter uma “nova gramática”, mais direta, abandonando as “subordinadas”. E abrindo caminho para esta renovada e eficaz presença da Igreja no mundo atual, estão justamente as cartas do Papa Francisco e do Papa Emérito Bento XVI escritas ao Jornal ‘La Reppublica’, e a entrevista do Papa Francisco à revista dos jesuítas “La Civiltá Cattolica”.
Fonte: Rádio Vaticana

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O Santo Padre Francisco: um sim à vida, à família e ao matrimônio

Infelizmente, o conteúdo da entrevista do Papa Francisco tem sido manipulado por diferentes meios de comunicação
Padre Jorge Lutz
No dia 19 de Setembro, 16 revistas jesuítas no mundo todo publicaram uma nova e extensa entrevista com o Santo Padre Francisco, feita pelo Pe. Antonio Spadaro, SJ, diretor da revista La Civiltà Cattolica ─ uma publicação jesuíta que é revisada pela Secretaria de Estado do Vaticano – que foi publicada em espanhol e foi apresentada pela revista “Razón y Fe”.
O Santo Padre Francisco nos fala dele, de porque se tornou Jesuíta e do que significa para um jesuíta ser Papa. Na entrevista nos fala também da vida na Companhia de Jesus, sua espiritualidade e missão, e de “como a Companhia deve ter sempre diante de si a procura da glória de Deus sempre maior”. Com muito carinho nos fala do Povo Santo de Deus e diz que “a imagem da Igreja de que gosto é a do povo santo e fiel de Deus”. Também aborda temas da sua experiência de governo, da importância de “sentir com a Igreja”, da importância da mulher, da doutrina moral da Igreja e das realidades mais interiores e profundas do ser humano. O Papa compartilha como reza e quanto é importante ter esperança na vida.
Infelizmente o conteúdo desta entrevista tem sido manipulado por diferentes meios de comunicação, apresentando o Santo Padre, como alguém que está contra a luta pela vida e pró-família, concretamente em temas como o aborto e a homossexualidade e o papel da mulher na Igreja. Os comentários do Santo Padre aparecem especialmente dentro do parágrafo: “Igreja, hospital de campanha?” Onde o Santo Padre, longe de justificar estas ideologias contra a vida e a família, tenta nos alentar a entender quão importante é hoje “curar as feridas”, aproximando-nos das pessoas com verdadeira misericórdia.
Diante da pergunta de como devem ser as pastorais com os homossexuais e da segunda união, o Papa Francisco diz que “temos que anunciar o Evangelho em todas as partes, pregando a Boa Notícia do Reino e curando, também com a nossa pregação, todo tipo de ferida e qualquer doença. Em Buenos Aires, disse, recebeu cartas de pessoas homossexuais que são verdadeiros feridos sociais, porque me dizem que sentem que a Igreja sempre os condenou. Mas a Igreja não pode fazer isso. Durante o vôo em que retornava do Rio, disse que se uma pessoa homossexual tem boa vontade e procura Deus, quem sou eu para julgá-la? Ao dizer isto eu disse o que diz o Catecismo. A religião tem direito de expressar suas próprias opiniões a serviço das pessoas, mas Deus na criação nos fez livres, não é possível uma ingerência espiritual na vida pessoal”. Aqui quando o Papa se refere à vida pessoal, se refere a todo ser humano e seu interior, e em nenhum momento fala de pessoas homossexuais ou lésbicas como diz a mídia de forma tendenciosa.
O Papa lembrou também que “uma vez, uma pessoa, para me provocar, perguntou- me se eu aprovava a homossexualidade. Eu então respondi para ela com outra pergunta: ‘Diga-me se Deus, quando olha para uma pessoa homossexual, aprova sua existência com afeto ou a rejeita e a condena? ’ Há que se ter sempre em consideração a pessoa. Aqui entramos no Mistério do ser humano. Nesta vida, Deus acompanha as pessoas e é nosso dever acompanhá-las a partir de sua condição. Há que se acompanhar com misericórdia. Quando acontece assim, o Espírito Santo inspira ao sacerdote as palavras oportunas”
O Santo Padre também falou “que esta é a grandeza da confissão, que avalia cada caso, onde se pode discernir o que é o melhor para uma pessoa que busca a Deus e sua graça. O confessionário não é um lugar de tortura, e sim aquele lugar da misericórdia em que o Senhor nos conduz para fazer o melhor que possamos. Estou pensando na situação de uma mulher que tem o peso do fracasso matrimonial em que aconteceu também um aborto. Depois disso a mulher casou-se novamente e agora vive em paz com cinco filhos. O aborto pesa-lhe enormemente e ela está sinceramente arrependida. Gostaria de retomar a vida cristã. O que faz o confessor?” Isto para nada é justificar o aborto, ir contra o matrimônio ou favorecer o divorcio.
O Papa Francisco afirma também que “não podemos seguir insistindo só em questões referentes ao aborto, ao matrimônio homossexual e ao uso de anticoncepcionais. É impossível.  Eu já falei muito destas coisas e recebi reclamações, mais ao falar destas coisas tem-se que se falar no seu contexto. Além do mais já conhecemos a opinião da Igreja e Eu sou filho da Igreja, e não é necessário estar falando destas coisas sem parar… O anúncio missionário concentra-se no essencial, no que é necessário, que por outra parte é o que mais apaixona e atrai e faz arder o coração… a proposta evangélica deve ser mais simples, mais profunda e irradiante. Só desta proposta depois surgem as conseqüências morais”. Os meios de comunicação têm informado de forma ambígua e mal intencionada que o Papa critica uma obsessão da Igreja nestes temas, mais o que o Papa Francisco tem feito é simplesmente com abertura, simplicidade e de forma direta e humilde deixar clara a doutrina da Igreja, que brota da pregação do Amor e da Misericórdia de Cristo e que devem se expressar numa autêntica pastoral para nossa época.
Todo este tema do Aborto se esclarece ainda mais com a firme postura do Santo Padre frente a cultura do descartável, que busca a eliminação dos seres humanos mais fracos. No discurso que fez aos ginecologistas católicos participantes do encontro promovido pela Federação Internacional das Associações de Médicos Católicos, pronunciado em 20 de Setembro deste ano, o Papa disse que “nossa resposta a esta mentalidade é um SIM decidido e sem vacilações à vida, que sempre é sagrada é inviolável”. Este discurso tem ainda muita importância, diante da manipulação que alguns meios de comunicação seculares estão fazendo da entrevista do Santo Padre.
O Papa Francisco toca outros temas apaixonantes em sua entrevista. Para iluminar mais a nossa formação e não deixar que a mídia secular nos manipule, acho adequado abordar o tema da mulher. Longe de toda ideologização e com muita clareza no tema sobre a mulher e sua função e missão na Igreja, nos diz o Papa que “é necessário ampliar os espaços de uma presença feminina mais incisiva na Igreja… As mulheres têm colocado perguntas profundas que devem ser tratadas. A Igreja não pode ser ela própria sem a mulher e o seu papel. A mulher, para Igreja, é imprescindível. Maria, uma mulher, é mais importante que os bispos. Digo isto, porque não se deve confundir a função com a dignidade. É necessário aprofundar melhor a figura da mulher na Igreja. É preciso trabalhar mais para fazer uma teologia profunda da mulher. Só realizando esta etapa se poderá refletir melhor sobre a função da mulher no interior da Igreja. O gênio feminino é necessário nos lugares em que se tomam as decisões importantes. O desafio hoje é exatamente esse: refletir sobre o lugar específico da mulher”.
É o Santo Padre quem nos desafia e nos diz na entrevista: “Sonho com uma Igreja Mãe e Pastora… Em vez de ser apenas uma Igreja que acolhe e recebe, tendo as portas abertas, procuramos mesmo ser uma Igreja que encontra novos caminhos, que é capaz de sair de si mesma e ir ao encontro de quem não a freqüenta; de quem a abandonou ou lhe é indiferente… Mas é necessário audácia, coragem”.
Façamos a nossa parte e, como o Papa Francisco diz, trabalhemos por “procurar e encontrar Deus em todas as coisas… Devemos caminhar juntos: o povo, os Bispos e o Papa.
Fonte: Arquidiocese do Rio de Janeiro

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Inscrições para os Prêmios de Comunicação da CNBB têm início no dia 30

No período de 30 de setembro a 31 de dezembro de 2013, estarão abertas as inscrições para os “Prêmios de Comunicação da CNBB”. Os prêmios são promovidos pela Conferência dos Bispos por meio da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação. Serão escolhidos os melhores trabalhos produzidos entre 2012 e 2013, cujos objetivos coincidam com valores humanos, cristãos e éticos. A cerimônia de entrega dos prêmios acontecerá durante a 52ª Assembléia Geral dos Bispos, programada para o mês de maio de 2014, em Aparecida (SP).
São quatro categorias, sendo os prêmios Margarida de Prata para o cinema, Microfone de Prata para o rádio, Clara de Assis para a televisão e Dom Hélder Câmara para a imprensa. “Nesta longa trajetória, a CNBB vem trabalhando para que essas produções culturais estejam sustentadas nos valores humanos, éticos e cristãos. Desta forma, a Conferência busca estabelecer um diálogo com o mundo da comunicação, da cultura e da criação artística e, ao mesmo tempo, reconhecer e valorizar o trabalho desses profissionais”, destaca a assessora da Comissão para a Comunicação, Ir. Élide Fogolari.
Os regulamentos de cada prêmio e a ficha de inscrição estarão disponíveis no site da CNBB a partir do dia 30 de setembro. 
Reconhecimento
Completando 46 anos, o prêmio Margarida de Prata é um dos mais antigos. Foi criado em 1967 e já premiou mais de 100 filmes brasileiros entre longas e curtas-metragens e menções especiais. Ir. Élide Fogolari lembra que esse prêmio surgiu no período da Ditadura Militar no Brasil, para um contraposição contra a restrição do Governo sobre as produções culturais. A premiação é reconhecida pelos cineastas e produtores nacionais.
Foram premiados cineastas como Walter Salles por Central do Brasil, Terra estrangeira e Abril despedaçado; Silvio Tendler por Os anos JK, Jango, Castro Alves- Retrato do poeta e Utopia e barbárie, Josué de Castro, cidadão do mundo; Roberto Farias por Pra frente Brasi; Leon Hirszmann por São Bernardo, Eles não usam black-tie e Imagens do inconsciente; João Moreira Salles por Nelson Freire, entre muitos outros.
Conheça os prêmios
11º Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa foi criado em 2002. Tem por objetivo premiar profissionais da mídia imprensa, cujas reportagens tragam em seu conteúdo valores humanos, sociais, políticos, cristãos e éticos, com vistas a construção da cidadania e a construção da cultura da paz.
8º Prêmio Clara de Assis para a Televisão foi criado em 2005. Tem por objetivo premiar programas televisivos nacionais, produzidos e exibidos por emissoras comerciais, educativas ou comunitárias brasileiras e que trazem em seu conteúdo valores humanos, sociais, políticos, cristãos e éticos.
44º Prêmio Margarida de Prata foi criado em 1967 pela Central Católica de Cinema, no âmbito do então Secretariado de Opinião Pública da CNBB. Tem por objetivo premiar as produções nacionais do cinema brasileiro, obras que apresentem em suas temáticas e artística valores humanos, éticos e espirituais.
22º Prêmio Microfone de Prata foi criado em 1989. Tem como objetivo principal incentivar e apoiar a produção e a qualidade de programas radiofônicos não só religiosos, evangelizadores, mas também de promoção humana, reconhecendo o valor do que já se faz e buscando aperfeiçoar.